sábado, 7 de dezembro de 2013

A MORTE DO POETA / LA MORT DU POÈTE










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Poème écrit en écoutant, à la radio, les nouvelles de la mort de Vinicius Moraes



A MORTE DO POETA / LA MORT DU POÈTE

Avelina Maria Noronha de Almeida

Tradução para o francês por ANGELA VIEGAS, do amigo país Portugal, que publicou o poema em português e em francês em seu magnífico blog Portugaldecouvertes
http://portugalredecouvertes.blogspot.com/


L’oiseau a ressenti une douleur soudaine
et durant son vol il a vacillé.
La joie s’est reccueillie
empressée.
Le verbe “aimer” frissonna
de froid
et le mot “femme”
s’est évannoui.

De la Poesie s’est perdu
le rythme.
Les métaphores palirent.
Plus mauve est devenue
la violette.
Une note désaccorda
brusquement
dans la symphonie de la vie.

Il y a eu une interruption
de la nature dans son harmonie.

L’horizon affligé demanda:
- Qu’est-il arrivé?

Des ailes se sont déployées légères
dans l’azur attristé
Le poète est mort!

J’espère que ma traduction vous aidera à apprécier ce joli poème!



Poema original: A MORTE DO POETA

Avelina Maria Noronha de Almeida


Súbita dor o pássaro sentiu
e vacilou no voo.
A alegria recolheu-se
apressada.
O verbo “amar” estremeceu
de frio
e a palavra “mulher”
teve um delíquio.

Da Poesia extraviou-se
o ritmo.
As metáforas empalideceram.

Mais roxa se tornou
a violeta.
Uma nota desafinou
bruscamente
na sinfonia da vida.

Houve um hiato
na harmonia da natureza.

O horizonte indagou aflito:
– O que aconteceu?

Asas ruflaram leves
no entristecido azul:

O poeta morreu!



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O TEMPO E A VIDA




















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O TEMPO E A VIDA

Avelina Maria Noronha de Almeida


Agradece o dia que começa,
que tem seu valor e encanto,
que é sempre uma promessa,
mesmo que haja pranto.

Aceita o tempo que passa.
Seu moinho tudo mói,
do pecador ao sem jaça,
desde o sem viço ao herói.

Venera o dia que termina,
que, em tudo que se viveu,
alguma coisa ele ensina...
Nada, nada se perdeu.















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PROVA

Avelina Maria Noronha de Almeida


A vida é uma prova:
carteiras marcadas,
folhas brancas
quase sempre manchadas
de medo...

... a caneta trêmula
ou firme,
dependendo
do enigma.

Marque com X a opção correta:

Quantos são os países
da América Central?
Que houve na passagem
das Termópilas?

Quantas vezes você marcou a opção
correta
e perdeu um sonho?

TEMPESTADE


















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TEMPESTADE

Avelina Maria Noronha de Almeida


O vento arranca
as florinhas roxas
do meu pé de primavera
e o chão fica juncado de dor.
Sabiá está chamando chuva...

As nuvens se adensam.

São Pedro está arrastando
as cadeiras do céu.
Santa Bárbara, valei-me!
- Queima a palha, menina,
que “envém” tempestade!

Ziguezagues de ouro riscam o espaço.
Os pingos cada vez mais grossos
tamborilam na vidraça.
O mundo chora o seu pranto
de dor e penitência:

PERDÃO, SENHOR!....

pelas mães que esfacelam os filhos
dentro do ventre seco
pelos que plantam pesadelos e colhem
ramos de louro
pelos que desfolham oliveiras
e perseguem doces borboletas
pelos que tiram o pão da boca dos famintos
pelos que prevaricam

PERDÃO, SENHOR,

PELOS
MUROS
PELAS
CRUZES
PELOS
FALSOS
PELOS
SUJOS

PELOS QUE PARTICIPAM
DA IMOLAÇÃO DOS JUSTOS

PELAS QUE PASSAM A NOITE
COM AS LÂMPADAS SEM AZEITE

P E L O S M A U S
P E L O S I N F I É I S
P E L O S I N E S C R U P U L O S O S

p e l o s q u e s e e s c o n d e m

p e l o s p u s i l â n i m e s

p e l o s o m i s s os

p e l o s

q u e


s o n h a m


e m


v ã o



p e l o S...


. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .


(PERDÃO PARA ADÃO E EVA!)


A tempestade se afasta com seu manto cinza,
sujo de águas barrentas,
arrastando folhas mortas.

Apenas uma ou outra gota se desprende,
agora,
das árvores escorridas e
solenes como fidalgos empobrecidos.

O ar fica de novo puro, fresco,
parecendo moça bonita que sai do banho.

Debruçada no muro úmido,
vejo as pessoas passarem
redimidas,
serenas,
apaziguadas...

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

EU, TIRADENTES


















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EU, TIRADENTES

Avelina Maria Noronha de Almeida


Mais uma vez percorro estes caminhos
já agora sem a sofreguidão da carne
Nas trevas o matagal faísca

Na longa caminhada
foram ficando
pedaços mutilados
enrijecidos

Chego ao destino final
a Praça da Ignomínia

Do Palácio me contemplam
cheios de ódio?
de escárnio?
de glória?

E nas frestas das janelas
olhos espiam
curiosos
temerosos
- compadecidos? -
o que resta do meu corpo

A vida foi expulsa
pelo fervilhar do ódio
na força da prepotência

Soprai forte, todos os ventos
sobre minha cabeça
- não a corrompida pela morte -
mas a que paira no ar
incorruptível
soberana

O sal que a salgou
também salgou auroras e crepúsculos
salgou a Liberdade

Arrancai dela, todos os ventos
sonhos e ideais
Levai-os a cada estrada
ou caminho
a cada monte
ou colina
a cada rio
ou riacho
para ficarem à espera
da alma forte e predestinada
que atiçará a fagulha

Na morte ainda serei chama!



AQUARELA DA VIDA



















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AQUARELA DA VIDA

Avelina Maria Noronha de Almeida



Pela estrada das memórias
agora vou caminhando
e quantas velhas histórias,
enleada, recordando.



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O rosa da doce infância
(bonecas, risos, folguedos)
desmaiado na distância
de um reino só de brinquedos.


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Depois... lindo azul de um sonho...
Adolescência. Alegrias...
Às vezes, tempo risonho,
às vezes, melancolias.



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Da mocidade, verduras,
seiva, esperança, vigor.
Castelos, enleios, juras,
entusiasmo e amor.


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Amarelo, rutilante,
brilha o sol. Maturidade.
Às vezes cruel, escaldante
é a luz da realidade.


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E apontam roxas, doridas
saudades, sombras, lembranças.
Velhice... Lutas vencidas.
Estioladas esperanças.



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Intérmina caminhada
pelos meandros da vida.
És a glória ou és o nada?
Escalada ou descida?

TEMPO ANTIGO

















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TEMPO ANTIGO

Avelina Maria Noronha de Almeida


Pelo tempo eu escorrego...
Peço um olhar emprestado
a um duende encantado,
que aonde vou,meu olho é cego...

Numa casa muito antiga,
todos em volta da mesa.
Clareando a gente amiga,
no fogão, a lenha acesa.

Lá fora a chuva caindo,
e uma goteira (que bom!),
numa lata retinindo
em seu monocórdio tom.

Ah! tempos que são passados
dessas noites de aconchego...
Com pés de vida cansados,
lá eu sei que nunca chego.

Na terra em que o sonho mora,
a imagem vai se esfumando
e, dentro do peito, agora,
é que a chuva vai molhando.